9.2.12

Gritei para os meus LABIRINTOS:
Deixem ao menos eu sofrer em paz
Sabe o que eles me responderam?
VIVER É UMA VERTIGEM
Então... Tenho vertigem de viver

Metámorfose

"Era uma vez uma boneca de sal
  Que se refez em pedra de cristal
  Para suportar as ondas do mar...
 
  Um dia Ela foi al litoral
  Mas o barco já havia engolido a âncora e acendido a última vela...
  Ela chama!Chama!Chama!
  E, sem fôlego mais , ela sopra! Sopra! Sopra!
  O vento de sua boca foi o grande combustível do barco à vela.
  Então, foi ficando cada vez mais longe dela.
  Em alto mar, ele virou um castiçal
  Fora do alcance da boneca que era de sal

  Ela se libertou para sempre, do receio de se dissolver na água
  Mas afundou nas próprias lágrimas que encharcaram seu lenço preto
  O mesmo que acena para esta cena
  Que o poeta assina, como quem lamenta sua sina
  De ganhar mais vida, ao deixar de ser uma boneca de sal
  E se refazer em pedra de cristal
  Para suportar as ondas do seu mar

  Ela pode se entregar ao banho de água doce...
  Açúcar cristal mexe com o tempero do rio"

E. SANTANA
Desde 1970 fazendo arte

21.12.11

Beba-me! Alice, o Chapeleiro e o Chá

Que importância tem o chá das cinco?
Nenhuma! Afinal, não somos Britânicos
Ainda bem que não somos
Imagino que eles não sabem o que é uma flor de quiabento
Tão exuberante quanto a força do seu espinho
Não saber o vigor de uma umbuzada tomada em pote de barro
Tão pouco sabem o sabor de uvas e goiabas frescas, protegida por flor vermelha
Dentro de uma xícarazinha de esmalte
Não sabem o gosto de catar frutinhas frescas escondidas numa fornada quente de panetone
Biscoitinhos caseiros embanhados em forno de barro
Cheiro de chá à luz de velas
E a riqueza incalculável de suas histórias, minhas histórias...
Suas histórias e minhas histórias
Quero chá todos os dias
Adoçado com melaço de cana
E o mais nobre agradecimento divino


20.12.11

Primeira Classe

"E essa sua segunda-feira foi de Primeira classe, conforme você merece sobrevoar, Boneca borboleta?"

Só na primeira classe tem passarinho azul!
Só na primeira classe tem caixa com promessa à luz de velas
Meu segundo nome desenhado cuidadosamente na poltrona
Cheiro de frutas frescas guardadas dentro de um panetone
E letras que escorrem depois de desamarradas por um lacinho vermelho